Trouxeste a Chave?

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Fui provocada a refletir. Imaginem o diálogo:

— Chris, para que essa chave no seu chaveiro?
— Uai, não sei não.
— E por que você carrega uma chave que não sabe para que serve?
— Para abrir uma porta que não sei onde está.
— Isso não faz sentido.

Fiquei pensando: 
Faz sim. Metaforicamente, sempre levamos conosco algumas chaves que não sabemos nem como, nem quando vamos usá-las, porque desconhecemos onde estão as portas que tais chaves podem abrir. Em nossa vida há sempre portas de entrada e de saída, que por algum motivo perdemos a localização, ou não identificamos como tal.

Drummond disse em seu belíssimo poema “Procura da Poesia”:

            “Penetra surdamente no reino das palavras.
            (...)Chega mais perto e contempla as palavras.
            Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
            e te pergunta, sem interesse pela resposta,
            pobre ou terrível, que lhe deres:
            Trouxeste a chave?”


           
Escrevi o meu poema, usando a metáfora de forma diversa:

Estás com a chave?
Pois guarde-a contigo.
Ela te lembrará de que há porta a ser aberta
e que tu tens o segredo.
Possui a chave.
Ela te recordará de que em teus caminhos
há entradas e saídas,
mesmo que te esqueças o trajeto e a localização,
e isso te dará esperança.

Olhe para tua chave
e saberás que em teu coração tens a memória
de teu lugar,
que nunca se perdeu de modo completo.
É uma vocação de tua alma

que encontres respostas.
Mesmo quando não possas antevê-las.
Em algum momento esquecido,
mas guardado lá,
em tua alma habita
as tuas motivações mais íntimas,
o que constitui teu desejo,
o que move teus caminhos.

Segura tua chave
E encontre tua porta
Construa o teu destino.

(Christina Rocha)

 

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